|
Minha Conta
Publicidade
|
História A história da colonização das terras que hoje fazem parte do município de Natividade, anteriormente chamado de Natividade do Carangola, tem o seu início no período que media entre 1821 e 1831. Os historiadores são unânimes em atribuir o desbravamento da região a José Lannes (ou de Lana) Dantas Brandão que segundo uns autores teria pertencido à Milícia de D. João VI e, segundo outros, teria sido um desertor da força policial de Ponte Nova em Minas Gerais. Esta é uma das versões da história de José Lannes, de Lana ou ainda José de Lannes Dantas Brandão como denomina o ilustrado Dr. Mário Pinheiro Mota a que devemos um dos melhores trabalhos especializados sobre a região de Itaperuna. Segundo esse autorizado escritor, a história de Itaperuna desenvolveu-se da seguinte forma: Em 1831, José de Lannes Dantas Brandão, depois de desertar da polícia de Ponte Nova, refugiou-se em Campos. Receoso de ser aí descoberto, procurou o sertão, indo até a altura do atual município de Viçosa, regressando à Zona de Faria Lemos, para depois descer e apossar-se de toda a terra, desde Porciúncula até o Bambuí. Em 1832, 26 de outubro, José Lannes escrevia, do lugar que denominou ‘Conceição’, ao seu filho Francisco, dando notícias, pedindo recursos e, mais, que fosse feita uma consulta ao amigo ‘sargento’, em Minas, sobre a possibilidade de legalização da posse das terras que havia ocupado. Voltou José de Lannes, em 1833, à zona que deixara, trazendo de regresso, em sua companhia, índios, escravos e um indivíduo por nome Bambuí, a quem doou as terras que têm hoje esta denominação. Estabelecido já no lugar denominado Porto Alegre, faz então em 1834 doação, por título, das cachoeiras do Cubatão ao tenente-coronel Geraldo Rodrigues de Aguiar. Depois desta data José de Lannes desfez-se da propriedade de Porto Alegre e estabeleceu-se no vale do Carangola, na fazenda de São José, acima de Natividade. Ainda em 1834 fez nova viagem a Ponte Nova, trazendo seus irmãos Antônio de Francisco, aos quais cedeu as terras da margem esquerda do rio Carangola, compreendidas pela bacia do ribeirão de São Sebastião, ou Bom Sucesso (fazenda engenho), Boa Esperança e a bacia do ribeirão da Conceição. Para a fazenda da Conceição transferiu-se mais tarde o capitão João F. Dantas Brandão, pai dos posseiros. Falecido, aí, foi sepultado no velho cemitério ainda hoje existente, mas em abandono. Dessa forma o vale do Carangola habitava-se enquanto o vale do Muriaé permanecia desabitado. Mas, ainda nesse ano, José Ferreira César, parente de José de Lannes, a pretexto de bater ouro e colher ipecacuanha (erva da família das rubiáceas), deixou a barra do Bacalhau, no município de Turvom em Minas, onde residia, e, em companhia da sua mulher, D. Maria Angélica da Luz, e de índios puris domesticados, construiu um rancho no local do arraial hoje de Laje, e aí se instalou, comunicando-se com os ‘Quartéis’, hoje São Paulo do Muriaé. Somente mais tarde, José Bastos Pinto e José Garcia Pereira chegavam ao mesmo local, sendo os doadores dos terrenos do arraial da Laje. José de Lannes era, entretanto, desertor da polícia de Ponte Nova, em Minas, e, em 1842, o presidente daquela província deliberou mandar prende-lo. Com a aproximação da força, que vinha capturá-lo, o desertor preparou-se com os seus homens para reagir, mas, parece, que a habilidade do tenente que comandava a escolta evitou qualquer violência, e do entendimento resultou entregar-se José de Lannes, que, conduzido até a presença do presidente da província, foi perdoado, louvado e honrado com o título de guarda-mor, pelos serviços prestados às regiões inóspitas que habitara e desenvolvera.” Seja como tenha sido, em 12 de agosto de 1844, reconhecendo o governo a importância do adensamento populacional verificado na região, resolveu auxiliar o seu desenvolvimento, expedindo uma Deliberação. Anos depois, em 29 de dezembro de 1887, novo decreto, que tomou o número 2.921, veio alterar a situação política e administrativa da região. Rezava ele: “Art. 1º - Fica criada a freguesia de São José do Avahy, tendo por sede o arraial de Porto Alegre, sito no território da freguesia de Natividade do Carangola, município de Campos, e por limites na margem esquerda do rio Muriaé, o córrego da Chica na fazenda de São Paulo, até a serra que divide as águas do dito rio das do Itabapoana; do lado de cima, o rio Carangola desde a sua foz até a confluência do ribeirão da Conceição, seguindo por este acima até as divisas da freguesia de São Sebastião do Varre Sahe; na margem direita do rio Muriaé, o Valão Grande, desde a sua foz até o rumo de fundos da fazenda de São Pedro, seguindo pelo mesmo rumo e pelos de fundos das fazendas situadas na dita margem do rio Muriaé até o ribeirão de São Domingos; e ainda por este até a sua foz no Muriaé.” Enquanto essas modificações político-administrativas se processavam, as lavouras existentes na região floresciam, permitindo aos seus proprietários usufruírem lucros fabulosos em grande parte devidos ao suor do elemento negro escravizado. Com o advento da lei abolicionista, em 1888, esta situação de prosperidade sofreu um sério abalo de que, durante longo tempo, se ressentiu a economia da localidade. Em 27 de junho de 1890, pouco tempo passado após a Proclamação da República, o governo desejando amparar e favorecer a vida econômico-social da região expediu o Decreto número 101, cujo texto era o seguinte: “Art. 1º - Fica criado o Município de Natividade do Carangola, tendo por sede a povoação do mesmo nome, elevada à categoria de Vila.” A instalação do município verificou-se no dia 14 de julho de 1890. Curta foi a vida autônoma da nova comuna, pois em 8 de maio de 1891, o governo, por força de um decreto, extinguiu o município de Natividade do Carangola, anexando o seu território ao de Itaperuna, no qual passou a constituir vários distritos, entre eles os de Natividade. Em 1947, tão progressista se mostrava esse distrito que, a Assembléia Estadual, por força do artigo 6º do Ato das Disposições Constitucionais Transitórias, promulgado em 20 de Junho de 1947 e regulado por efeito da Lei Estadual nº 6, de 11 de Agosto de mesmo ano, resolveu conceder-lhe, novamente, autonomia político-administrativa, elevando-o à categoria de município, com território dos distritos de Natividade do Carangola (ex-Natividade), Varre-Sai e Ourânia, desmembrados todos do município de Itaperuna. Varre-Sai mais tarde se emancipou. Natividade dedicou-se no correr deste século, cada vez mais à pecuária, deixando o café de ser a cultura mais importante na cidade. A agricultura passou a ser dirigida para o arroz, milho e feijão. A cidade, atualmente, tem como principais atrativos os turismos religioso e rural, destacando-se o Sítio dos Milagres e as fazendas históricas. Atrações Turísticas Santuário Diocesano Nossa Senhora da Natividade Localizada no coração da cidade, a Igreja Católica Central foi elevada à categoria de Santuário Diocesano em 2003 e é um lugar de oração muito visitado. .A partir de 25 de julho de 1845 a Igreja Matriz, agora Santuário Diocesano, já estava funcionando. Com um a reforma, perdeu suas características originais. A entrada atual é pavimentada e cercada de ferro. O frontispício é composto por quatro vitrais, na parte superior há uma rosácea de doze compartimentos, embelezados pelas cores azul, amarelo e vermelho, de 5 m de diâmetro, aproximadamente. Acima da rosácea, está a imagem, em concreto, da santa Padroeira do Município, iluminada à noite. A porta principal, talhada em madeira maciça de cedro-magno, foi doada por um cidadão denominado Laurício, que a talhou e instalou no local. No interior, a nave é em piso vitrificado, de confecção atual. As seis pilastras existentes, em cada lado, totalizando doze pilastras, imitam a pintura em mármore, que sustentam o teto de tábua corrida pintado em branco. As paredes da nave são decoradas por sete vitrais de cada lado. A imagem de Nossa Senhora da Natividade do século XIX, que está em um pequeno altar retangular, em madeira talhada, oriunda da Espanha, sofreu uma restauração em Belo Horizonte no ano de 1987. Sítio dos Milagres Localizado na estrada que liga a cidade de Natividade ao distrito de Ourânia, à 6 km do centro da cidade (percurso de estrada asfaltada) é um dos principais pontos turísticos da região. Conhecido como o local no qual ocorreram as aparições de Nossa Senhora, entre os anos de 1967 e 1968, o lugar possui uma réplica exata e única no mundo da casa onde Maria viveu e conserva a pedra deixada pela Virgem em uma de suas aparições. A casa de Nossa Senhora, em frente ao lago, foi construída em 1974, pelo Dr. Fausto de Faria, para quem a Santa apareceu. É uma perfeita réplica do Santuário em Éfeso, na Turquia, sendo a única no mundo. Possui estilo oriental, com suas cúpulas arredondadas. Internamente, o primeiro plano é constituído de uma sala de visitas com cofre, onde pode-se ver a Cefas (pedra), que misteriosamente apareceu nas mãos do Dr. Fausto de Faria, na terceira aparição da Virgem em 12/07/1967. No fundo do cofre está a cópia do retrato falado original de Nossa Senhora, feito por Iraci do Nascimento e Silva. No segundo plano há três oratórios e um quadro que traz as mensagens deixadas pela Santa. Ao lado esquerdo, a sala dos milagres, e ao lado direito, a sala particular da santa. A poucos metros da casa, localiza-se o nicho construído no local exato das aparições. Nele está a imagem em bronze de autoria de Matheus Fernandes, datada de 1969. Defronte ao nicho, passa o regato onde Nossa Senhora apareceu. Há uma fileira de bicas para facilitar a colheita da água do regato pelos fiéis, que a procuram para fins milagrosos. Monumento à Nossa Senhora de Fátima É uma capelinha ladeada por duas escadarias e dois bancos situada numa grande área gramada. A capelinha possui cinco pontas, tendo sua flecha (a ponta central) há uma altura de 2,5 m aproximadamente. A imagem de Nossa Senhora de Fátima, no interior, cercada em grade de ferro é em gesso sem pintura e possui altura aproximada de 50 cm. Balneário Campestre Clube (CLEN) Sua sede campestre localiza-se a 2 km do centro da cidade, podendo o turista desfrutar da Cachoeira João Fernandes, com mais de 1 km de corredeiras, e do Moinho Antigo, além de uma beleza natural impressionante. O CLEN também possui uma sede social, onde são promovidos shows e atrações todos os finais de semana. Fazenda Mutuca Localiza-se na estrada Natividade-Varre-Sai, no km 5. Possui cachoeiras, churrasqueiras, bar e restaurante, área para acampar, plantação de goiabas e venda de produtos próprios. Breve também estará oferecendo o serviço de pousada. Pesque e Pague Ponte Nova Localizado na rodovia Itaperuna-Natividade, às margens do Rio Carangola, na comunidade de Bananeiras, possui vários tanques parara praticantes do esporte, num local onde o contato com o meio ambiente é a principal atração. Fazenda Taboca Estrada Natividade-Purilândia, km 6. Fazenda Histórica, construída por volta de 1850, oferece atividades como caminhadas, visitação às instalações da fazenda, pesque e pague, banho nas corredeiras, currais, moinho de pedra e máquina de arroz. Fazenda São José Localizada a 6 km do centro da cidade, o percurso é ornamentado com pequenos sítios. Fazenda histórica onde morou o desbravador José de Lannes Dantas Brandão, construída por volta de 1820. A Fazenda São José foi uma das primeiras edificações da região, construída pelo bandeirante José de Lannes Dantas Brandão, seu proprietário então. A Fazenda está implantada na raiz de um conjunto de pequenas elevações irregulares e a Estada da Barra, que dá acesso à região. Das elevações nascem as águas que servem à Fazenda. A obra foi construída na primeira metade do século XIX com todas as características da construção colonial mineira. A Casa-Grande possui dois andares e passou por uma reforma em 1998. Os proprietários pretendem utilizar o andar de cima para uso familiar e permitir visitas à parte térrea. O que resta da construção original são as paredes exteriores e partes da vigas e pilares de sua fundação, que seus proprietários pretendem deixar expostas para mostrar o trabalho dos construtores do século XIX. A casa não possui mais as senzalas e outros edifícios que compunham o dia-a-dia de uma fazendo do século passado, como celeiros e armazéns para café. A Casa-Grande, primitivamente em formato de ‘L’, não possui mais sua parte posterior ao fundo do sítio, restando apenas o corpo principal. A casa é um estilo colonial feita em alvenaria de pedra com beiral e janelas em guilhotina. A bela escada, entalhada em madeira de lei, que leva ao piso superior esta sendo restarurada durante a reforma e poderá ser apreciada pelo visitante. José de Lannes Dantas Brandão, fundador de Natividade, morou na Fazenda São José até 1852, quando foi assassinado por escravos da própria fazenda. O atual proprietários tem o registro do processo contra os escravos e pretende expor esses autos com peça histórica de informação sobre a casa. A imensa mesa que ficava na sala de jantar (que não existe mais) será colocada no térreo no local que será aberto à visitação. Diante da casa existe uma pequena fonte que será restaurada tal como era nos tempos iniciais da casa. A fazenda é rodeada por um grande muro. Na entrada principal foi construído um imponente portão em estilo barroco. A história do portão merece destaque. Consta nos tradicionais anais históricos que José de Lannes estava sendo procurado como desertor pela polícia de Ponte Nova. Ele preparou-se para resistir à força policial que vinha apanhá-lo em sua casa. A habilidade do tenente que conduzia a escolta evitou qualquer violência e o acordo resultante foi a rendição de José de Lannes que, conduzido ao presidente da província, foi perdoado. Em documentos históricos recentes, esta versão está sendo revista, constando que sua prisão estava relacionada com o movimento liberal acontecido em 1842 do qual José de Lannes era participante. A anistia aos revoltosos foi concedida em 1844 e todos foram perdoados. O portão foi mandado construir - como mostra de perdão à José de Lannes - por D. Pedro II, que enviou especialmente contraste com o conjunto colonial à sua volta. Fonte: Prefeitura Municipal de Natividade
Nenhuma fotografia até o momento.
|
| |||||||||||||||||||||||||||||||||||