História
Colonização e crescimento
Em 1819, o desbravador Constantino José Pinto, líder de uma expedição de 40 homens, caminhou à margem do rio Muriaé, confluente dos ribeirões João do Monte e Robinson Crusoé, e abrigou-se próximo à cachoeira Buiehé, no local que hoje é a Praça do Rosário. Ele saiu de São João Batista do Presídio, designado pelo diretor geral de índios da freguesia de São Manoel do Pomba, Guido Marliére, para criar aldeamentos para os nativos da região. As finalidades eram tentar conter os abusos cometidos por exploradores contra os indígenas e controlar a rivalidade entre as tribos, além de catequizá-las. Nascia assim a aldeia de São Paulo do Manoel Burgo, oficializada pelo auto de medição das terras. O documento está registrado no Arquivo Público Mineiro e foi escrito em 3 de setembro daquele ano, pelo medidor Francisco de Paula Silveira Alferes.
Embora estivesse inserida nas chamadas “áreas proibidas”, devido à dificuldade de se adentrar nas matas cerradas que aqui existiam na época, a região não era totalmente desconhecida. Em algumas localidades, já existiam desbravamentos, resultantes da passagem de exploradores que buscavam plantas que pudessem ser comercializadas. Além disso, o próprio Constantino Pinto já havia estado aqui em 1817, dois anos antes de sua efetiva chegada, para avaliação das terras, a mando de Marliére.
Na época, estas terras eram habitadas por povos nativos. Os puris acostumaram-se a viver em matas cerradas. Construíam seus abrigos embaixo de árvores e fugiam dos raios solares. Se tivessem que trabalhar sob a luz, realizavam período de repouso de mais três horas de duração, durante a jornada. Eram robustos e de baixa estatura. Desconheciam técnicas de construção de ocas, costura de redes e agricultura. Viviam apenas da caça e pesca e tinham pavor da morte. Quando algum membro da tribo envelhecia ou ficava doente, era abandonado na selva para que sua morte não fosse presenciada.
Constantino foi designado diretor dos puris por Marliére. O povoamento da região começou a acontecer e foi construída uma capela, que hoje é a Igreja do Rosário. Com a movimentação, apareceram extratores de madeira-de-lei e plantas medicinais, sobretudo raízes de ipecacuanha, conhecida popularmente como poaia. As casas eram construídas na Rua Direita, que se estendia ao longo da margem do rio e dava origem ao Porto, Armação e Barra, e o crescimento do povoado já era visto facilmente.
A origem do nome
Como principal legado, o o povo indígena deixou o nome da cidade. Embora não exista consenso sobre o significado da palavra “Muriaé”, a maioria das hipóteses aponta para a relação com a existência de mosquitos. Por esta ótica, a evolução etimológica pode ter acontecido a partir de “Meru-aé” (mosquito diferente e mau) ou “Meruim-hu” (rio dos mosquitos). A informação do Almanaque das Casas Americanas, de 1914, de que 15% das crianças aqui nascidas no ano de 1876 morreram em razão da febre amarela - doença provocada pela picada de mosquitos - faz essas versões ganharem força.
Há ainda outras opções menos cotadas, segundo as quais o nome do rio e da cidade, com origem na palavra “Mboriahu”, significaria aflição e lamento. Já a hipótese mais conhecida popularmente - embora considerada mítica por historiadores, museólogos e outros pesquisadores - foi relatada em 1785 pelo cronista Couto Reis. “MORIAHÉ, he um termo Portuguez corrupto, composto do verbo morrer e do advérbio ahi: - os índios que antigamente se querião cathequizar, e principiavão a aldear-se, onde muitos morrerão, já sabendo alguma coisa do nosso idioma, sempre conservarão os bárbaros acentos de sua língua. Quando algum portuguez lhes perguntava por alguns de seus parentes, que erão fallecidos, respondião para explicar: - morreu-ahi. Assim, se ficou chamando o Rio Moriahé”, descreveu o autor, em texto reproduzido de forma fiel ao original.
Turismo
Praça Coronel Pacheco de Medeiros
Popularmente conhecida como Praça da Prefeitura, a Praça Coronel Pacheco de Medeiros é assim conhecida por ter abrigado, por mais de um século, a sede do Poder Executivo de Muriaé. Após a construção do Centro Administrativo Presidente Tancredo Neves, o Paço Municipal - construído em 1898 - deixou de ser o local de trabalho do prefeito da cidade.
A praça é dividida em duas. De um lado, além da antiga unidade da Prefeitura, estão ainda a Câmara de Vereadores e o edifício da Empresa Brasileira de Correios e Telégrafos. Ao atravessar a rua, outras construções históricas se fazem presentes, como a escola e a igreja matriz - ambas receberam o nome de São Paulo, o santo padroeiro do município.
Fonte: Prefeitura Municipal de Muriaé
|